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Globo demite jornalistas Chico Pinheiro e Carlos Tramontina

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Diferentemente do que a Globo deu a entender em notas internas, os jornalistas Carlos Tramontina e Chico Pinheiro não saíram da emissora porque queriam ou porque pediram. Celetistas que eram, foram demitidos porque ganhavam altos salários e estavam desgastados. Foram avisados em janeiro que seriam afastados após o Carnaval. O único “comum acordo” que fizeram foi um voto de silêncio: não deram um pio sobre o assunto. A Globo nega.

As demissões de Chico Pinheiro e Tramontina já eram esperadas e só não ocorreram antes por causa da pandemia de coronavírus, que os afastou do trabalho presencial durante quase um ano e meio. Tramontina, de 65 anos, apresentou o último SP2 na terça-feira (26 de abril), após 43 anos de casa. Pinheiro, aos 68, foi visto pela última vez no Bom Dia Brasil na sexta-feira (29 de abril). Tinha 32 anos de Globo.

Uma fonte define a relação de Tramontina e Pinheiro (principalmente o segundo) com a Globo como um “casamento fracassado”. Não tinha mais salvação, o divórcio era uma questão de tempo. Tramontina estava havia muito tempo à frente do SPTV/SP2, desde 1998, e a rede queria renovar a apresentação do telejornal – em seu lugar, acabou promovendo outro veterano, José Roberto Burnier.

Chico Pinheiro foi protagonista de uma crise interna da Globo em abril de 2019. O mesmo Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo que na sexta elencou todas as suas qualidades em e-mail de despedida, na época soltou um comunicado em que alertava os subordinados sobre o uso de redes sociais e os advertia que não deveriam expressar publicamente preferências políticas e partidárias, porque isso causa “dano” à emissora.

O e-mail foi disparado horas depois de vazar nas redes sociais um conjunto de áudios de WhatsApp em que Pinheiro fazia uma apaixonada defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso dias antes por corrupção passiva.

“Não se pode expressar essas preferências [políticas e partidárias] publicamente nas redes sociais, mesmo aquelas voltadas para grupos de supostos amigos”, escreveu Kamel, sem citar Pinheiro diretamente. Segundo ele, a medida era necessária porque, “uma vez que se tornem públicas pela ação de um desses amigos, é impossível que os espectadores acreditem que tais preferências não contaminam o próprio trabalho jornalístico, que deve ser correto e isento”.

A relação de Chico Pinheiro com a Globo já não era boa, tanto que no início de 2019 ele foi afastado do rodízio de apresentadores do Jornal Nacional aos sábados. Começou a cair em desgraça com a cúpula da Globo ao encerrar o JN, em dezembro de 2017, com um sonoro “saravá”, saudação associada ao candomblé e à umbanda.

Apesar de todo esse contexto, a demissão dos dois profissionais ocorreu de forma amigável, em conversas gentis. O Notícias da TV apurou que Tramontina e Pinheiro até agradeceram por não terem sido demitidos durante a pandemia e por terem sido avisados três meses antes do desligamento. Em troca dessa “demissão com gentileza”, eles concordaram em não falar nada para colegas ou imprensa.

Procurada, a Globo negou que os dois âncoras tenham sido demitidos ou que estivessem queimados dentro da emissora. “Nada procede na consulta. As saídas, tanto de Chico Pinheiro como de Carlos Tramontina, foram de comum acordo. São dois profissionais que têm o mais absoluto respeito e reconhecimento dos colegas de Redação e de toda a Globo pelas décadas dedicadas ao jornalismo em carreiras marcadas pela excelência e competência”, informou em nota enviada à imprensa. 

Por NoticiasDaTV – foto: divulgação 

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